Humberto Firmo - Calango do Cerrado

17 de mar de 2015

Decálogo - Por Bertrand Russell



UM DECÁLOGO LIBERAL (“A Liberal Decalogue”)
Por Bertrand Russell

1. Não tenhas certeza absoluta de nada.
2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
8. Encontra mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Liberdade econômica e política - Milton Friedman



A  relação entre a liberdade econômica e a liberdade política

Toma-se como certo que a política e a economia são departamentos estanques; que a liberdade individual é uma questão política, e que o bem-estar material uma questão econômica; e que qualquer forma de organização política pode ser combinada com qualquer tipo de ordem econômica. A principal dessas crenças é a defesa do “socialismo democrático” pelos que condenam as restrições à liberdade individual do “socialismo real”, mas que acreditam que o planejamento central da economia é compatível com a liberdade individual.
Esse ponto de vista é ilusório. Existe uma estreita relação entre a economia e a política. Somente algumas combinações de sistemas políticos e ordens econômicas são possíveis, e uma sociedade socialista não pode ser democrática e garantir a liberdade individual.
Em uma sociedade livre, a ordem econômica desempenha dois papéis: a liberdade econômica é parte da liberdade como um todo, constituindo um fim em si mesma; e a liberdade econômica é um meio indispensável à liberdade política, por seus efeitos sobre a concentração ou a dispersão do poder. O capitalismo competitivo é o tipo de ordem que, ao separar o poder econômico do poder político, permite o controle de um sobre o outro.
O problema econômico central é o de coordenar as ações de um imenso número de indivíduos, decorrente da divisão do trabalho e da especialização. O desafio de uma ordem liberal é conciliar essa interdependência econômica dos indivíduos com a liberdade individual.
Só há duas formas de coordenar as atividades econômicas. Uma é o planejamento central, secundado pela coerção: é a técnica do Exército e do Estado totalitário moderno. A outra é a cooperação voluntária dos indivíduos: a economia de mercado.
Sempre que uma transação econômica é voluntária e as partes envolvidas estão informadas sobre o objeto da transação, ela resultará sempre em benefício mútuo para as partes, ou não ocorrerá. Pela troca, portanto, torna-se possível a coordenação sem coerção. A economia de mercado baseada na empresa privada, o capitalismo competitivo, está baseada na troca voluntária. Numa ordem social desse tipo, o consumidor é protegido da coerção de um vendedor pela competição entre os demais vendedores no mercado. O empregado é protegido da coerção do empregador pela competição dos outros empregadores, e assim por diante. E o mercado faz isso, de forma impessoal e automática, sem nenhum planejamento centralizado.
A existência de um mercado livre não elimina a necessidade do Estado. Ele é essencial para determinar as “regras do jogo” e para interpretar e fazer valer as regras estabelecidas. Dadas as regras do jogo, o papel do mercado é reduzir o número de questões que devem ser decididas pelo processo político e minimizar a participação do Estado no jogo.

Zona de conforto - Daniel C. Luz



Por que devemos sair da zona de conforto?


Por que você deve sair da sua zona de conforto? Por que, se lá é tão quentinho e aconchegante? Eu lhe darei três boas razões:

primeira razão é que você será obrigado a sair um dia, por mais que resista. Ninguém passa a vida inteira sem encontrar dificuldades.
A incerteza é um fato da vida, a única coisa da qual podemos ter certeza.
Não temos que nos entregar a precipitações óbvias ou riscos derrotistas, mas podemos nos permitir correr riscos positivos em busca do crescimento e progresso.
Não podemos simplesmente optar por uma vida calma, sem nenhuma turbulência. Algum dia em algum lugar, algo nos fará passar por um teste para o qual não estaremos preparados e que gostaríamos não ter de enfrentar.
Corra riscos. Não espere sempre por uma garantia. Não temos de ouvir: "-Eu não disse?". Depois de um erro, sacuda o pó e caminhe para o sucesso.

segunda razão é que, como seres humanos, acredito que procuramos maneiras de nos refinar e melhorar. Temos, dentro de nós, a capacidade e o desejo poderoso de melhorar nosso protótipo. E só podemos fazer isso nos esforçando e testando.
Experimente. Tente algo novo. Dê mais um passo. Temos estado presos há muito tempo. Temos nos segurado há muito tempo.
Quando crianças, muitos de nós foram reprimidos do direito de experimentar. Como adultos não é diferente; continuamos nos privando deste direito.
Agora, é hora de experimentar. Permita-se provar coisas novas. Deixe-se tentar por algo novo. Sim, você cometerá erros, mas a partir desses erros você conhecerá quais são seus valores.
Algumas coisas não apreciaremos. Isso é bom, pois saberemos um pouco mais sobre quem somos e o que não gostamos.
Outras coisas nós apreciaremos. Elas funcionarão com nossos valores, com quem somos e contribuirão com a descoberta de coisas importantes e enriquecedoras para nossa vida.

terceira razão pelo qual você deve sair da sua zona de conforto é simplesmente que sua vida se tornará muito mais interessante. Sei que você não quer uma vida monótona, previsível. Se quisesse não estaria lendo este artigo.
Quem leva uma vida segura e previsível nunca saberá que pessoa extraordinária realmente é. Torne desafiadoras as circunstâncias de sua vida para que sua grandeza possa subir à superfície.
Por:
Daniel C. Luz
Autor dos livros Insight I e Insight II DVS Editora

Estupidez - Carlo M. Cipolla



As leis fundamentais da estupidez humana

por Carlo M. Cipolla


A primeira lei fundamental

Sempre e inevitavelmente cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação.



A segunda lei fundamental

A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica desta mesma pessoa.



A terceira (e áurea) lei fundamental

Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a uma outra pessoa ou grupo de pessoas, sem, ao mesmo tempo, obter qualquer vantagem para si ou até mesmo sofrendo uma perda.


A quarta lei fundamental

As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem constantemente que, em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, tratar e/ou associar-se a indivíduos estúpidos demonstra-se infalivelmente um custosíssimo erro.


A quinta lei fundamental

A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.

Ídolos



Ídolos de íons
ídolos de barro
adoradores de fogo
adoradores de cruz.

Espetos, gemidos, o crescimento dos rabos.
Amor traído, pressa, ciúme, outro que não conheço.
O inimigo espreita a porta, dorme ao fundo
observando o movimento suspeito.

Um estupro na esquina, outro na capela
um padre que respira o pó da ressurreição.
O caminho errado, dobrando a esquina
Viver é a contramão do destino
A morte lava as mãos dentro da alma.

Os clientes são os mesmos:
a pedra espetacular da ganância,
o manuseio doméstico das mulheres,
o enriquecer desonesto dos larápios,
o estabelecimento invadindo a vida privada,
o aperto da voz sufocando as idéias.

Há um verme habitando o silêncio.


Humberto Firmo

Poema seco



Eu tenho sempre os mesmos poemas,
aqueles que me acordam pela manhã.
Não sou prolixo.
Os poemas é que são secos.

Assim como sou seco no andar,
adquirindo pó pela estrada,
comendo pó como tantos outros;
vivo tossindo coisas secas.

Já prestei contas às minhas manhãs.
Acordo agora sem letras,
absolutamente esquálido;
ouvindo apenas a cidade.

Vez ou outra a secura me comove.
Respiro fundo, digo não.
E, mesmo assim, seco,
ainda sou prolixo.

Quantos de nós dizem não,
secamente, mesmo tendo uma manhã?

                                      Humberto Firmo

Um dia...



Um dia namorei uma garota.
A primeira namorada.
Chamava-se Lucilene d'Abadia.
Tinha nome e sobrenome.
Nunca mais nos vimos.

Como são estranhos esses encontros e desencontros pelo mundo
Se não fossem os primeiros beijos
talvez nem tivéssemos boas lembranças.

Humberto Firmo
 

As palavras são como cascas de arroz




Bate-se em pilão.
Sopra-se em peneiras.
Ao vento, as palavras vão.

Humberto Firmo.

A emoção do ideal - José Ingenieros



A emoção do ideal
(Em A moral dos idealistas – José Ingenieros)
Quando colocamos a proa visionária na direção de uma
estrela qualquer e nos voltamos às magnitudes inalcançáveis, no afã
de perfeição e rebeldes à mediocridade, levamos dentro de nós,
nesta viagem, a força misteriosa de um ideal. É um fogo sagrado,
capaz de nos levar às grandes ações. É necessário, todavia, que o
tenhamos sempre sob nossa custódia. Pois, se o deixarmos apagar,
não se acende jamais. Se tal força morrer dentro de nós, ficaremos
simplesmente inertes; não passamos, neste caso, da mais gelada
bazófia humana. Na verdade, apenas vivemos por causa desta partícula
de sonho que colocamos sobre o real. Ela é, com propriedade,
a flor-de-lis de nosso brasão, o penacho de nosso temperamento.
Inumeráveis signos a revelam: aperta-nos a garganta quando
nos recordamos da cicuta imposta a Sócrates, da cruz erguida
por Cristo e da fogueira acesa a Giordano Bruno; abstraímo-nos
no infinito quando lemos um diálogo de Platão, um ensaio de
Montaigne ou um discurso de Helvécio; quando nosso coração
estremece pensando na desigual fortuna destas paixões, nas quais
fomos, alternadamente, o Romeu de tal Julieta e o Werther de tal
Carlota; quando nossos sentidos gelam de emoção ao declamarmos
uma estrofe de Musset, que surpreendentemente rima de acordo
com nosso sentir; quando, finalmente, admiramos a mente preclara
dos gênios, a sublime virtude dos santos, a magna façanha dos he-
róis, inclinamo-nos com igual veneração diante dos criadores da
Verdade ou da Beleza.
Nem todos, é preciso que se diga, extasiam-se diante de
um crepúsculo, sonham frente à aurora ou se arrepiam na eminência
de uma tempestade. Nem tampouco gostam de passear com
Dante, rir com Moliére, tremer com Shakespeare ou assombrar
com Wagner; nem mesmo emudecem diante de David, da Ceia ou
do Partenón. É para poucos essa inquietude de perseguir avidamente
alguma quimera, venerando filósofos, artistas e pensadores
que fundiram em sínteses supremas suas visões do ser e da eternidade,
voando para o além do real. Os seres desta estirpe, cuja
imaginação é povoada de ideais e cujo sentimento polariza em
direção a eles toda a personalidade, formam uma raça distinta dentro
da humanidade: são idealistas.
Definindo nossa própria emoção, poderíamos dizer, com
aqueles que se sentem poetas: o ideal é um gesto do espírito em
direção a alguma perfeição.
(Madrid,1913).